Sinópse
Neste percurso emocional ao passado, Villa-Lobos confronta a violência do pai, o peso da tristeza materna, o desencontro afetivo com Lucília, sua primeira mulher, a impossibilidade de ter filhos, a rejeição de sua arte num meio cultural colonizado, o fracasso e a falta de dinheiro, a doença e a mutilação, o medo de perder Mindinha - seu grande amor - o abismo entre a genialidade e a loucura. Aos poucos, o personagem define-se em toda a sua complexidade: enérgico e frágil, simples e megalômano, amoroso e egocêntrico, genial e ingênuo.
VILLA-LOBOS - UMA VIDA DE PAIXÃO narra a história de um homem aventureiro e intuitivo que amava sua terra. Antes de tudo, um brasileiro que lutou muito para manter-se fiel a si próprio e às suas raízes. Sua música é um retrato de sua paixão pelo Brasil.
Notas de Produção
Por 20 anos, o diretor Zelito Viana sonhou levar a vida do mais importante compositor moderno brasileiro para o cinema.
"Filmar a vida de Villa-Lobos não é apenas falar ao grande público sobre um dos gênios da história da música. Sua trajetória também pode nos ajudar na difícil tarefa de reconciliação do Brasil com seu povo identificando suas potencialidades, reconhecendo sua força, sua beleza, sua originalidade, sua tradição".
Como seu personagem, Zelito Viana também é um obcecado por temas brasileiros, como demonstram os seis filmes que dirigiu: Minha Namorada (1970), O doce esporte do sexo (1971), Os condenados (1973), Morte e Vida Severina (1976), Terra dos Índios (1978) e Avaeté, a semente de vingança (1985).
O Projeto
Por várias vezes, Zelito Viana ensaiou transpor para a tela a grande aventura musical de Villa-Lobos. A partir da retomada, em 1995, decidiu que não havia mais porque adiar o projeto, para o qual já havia realizado centenas de entrevistas na França, Estados Unidos e Cuba com contemporâneos do compositor. Ao longo dos anos, também teve vários encontros com Arminda, segunda mulher de Villa, que a chamava de Mindinha. Debruçou-se sobre o roteiro assinado por Joaquim Assis, que teve por base extensa pesquisa coordenada por Claudia Furiati. Zelito Viana não queria realizar um filme biográfico, mas "viajar pelo cérebro de um criador". Em etapa posterior, o diretor contou com a assessoria de Syd Field, consultor internacional de roteiros de Hollywood. Finalmente, em 1997, conseguiu o apoio da BR Distribuidora, Petrobrás, Telebrás, Eletrobrás e Banespa. VILLA-LOBOS - UMA VIDA DE PAIXÃO estava pronto para decolar.
O Elenco
Para contar seis décadas de vida do compositor, Zelito Viana precisava de três atores. Seu filme começa em 1896, quando Villa tem 9 anos, e se estende até a sua morte, em 1959, aos 72 anos. Para interpretar Tuhu, o apelido do compositor na infância, foi chamado o ator André Ricardo. Villa jovem é interpretado por Marcos Palmeira (Dedé Mamata, Anahy de las Missiones), um dos atores mais talentosos de sua geração. Para Marcos Palmeira, filho do diretor, "foi uma honra retratar a alma de um gênio". E aponta como maior desafio "interpretar um homem que sempre viveu no limite da sua sensibilidade, totalmente voltada para a criação".
Para viver o maestro em sua maturidade, foi convidado Antonio Fagundes, com extensa e diversificada carreira no cinema, teatro e televisão, e que foi definido pelo diretor como "uma extraordinária máquina de representar." Inteiramente dedicado ao papel, Fagundes teve que se submeter a cinco horas de maquiagem para as cenas de Villa-Lobos na velhice. O maior desafio, no entanto, foi "transmitir uma personalidade tão viva, criativa e presente e absolutamente intensa em todos os seus atos".
Segundo Antonio Fagundes, um filme sobre Villa-Lobos, além de revelar um personagem extraordinário, tem o mérito de contribuir para "contar a história do Brasil. No ano em que se comemora 500 anos de descoberta do país, comemoramos também a ignorância sobre nós mesmos. Filmes como Villa-Lobos ajudam a diminuir esse desconhecimento". Sua preparação para o papel incluiu aulas de regência e violoncelo, também ministradas a Marcos Palmeira, sob orientação do maestro Sílvio Barbato, diretor musical do filme.
VILLA LOBOS - UMA VIDA DE PAIXÃO apresenta Letícia Spiller em seu primeiro longa, como Mindinha, a grande paixão de Villa Lobos - quando se conheceram, ela tinha 19, ele 47, e era casado. Ana Beatriz Nogueira (prêmio de melhor atriz em Berlim por Vera), interpreta Lucília, sua primeira mulher. Marieta Severo (Noêmia) e Othon Bastos (Raul) interpretam os pais de Villa-Lobos. José Wilker vive Donizetti, personagem que aproxima o compositor da selva amazônica, dos sons indígenas e do mito do uirapuru.
No amplo painel histórico coberto pelo filme, também despontam personagens como o pianista Arthur Rubinstein (Emilio de Mello), o escritor Érico Veríssimo (Marcelo Táss) e Getúlio Vargas (Carlos Ferreira). "Trabalhar com esse elenco foi uma satisfação imensa - dos atores principais aos coadjuvantes de luxo, todos valorizam seus papéis e deram força total a seus personagens", enfatiza o diretor.
O elenco soma 66 atores, 2.700 figurantes e 4.000 crianças reunidas para reproduzir os monumentais corais orfeônicos regidos por
Villa-Lobos nos anos 40.
A Pesquisa de Reconstituição de Época
Levar às telas a vida de Villa-Lobos exigiu profunda pesquisa iconográfica para a reconstituição de uma época que deixou poucos vestígios no Rio de Janeiro, cidade em que o compositor nasceu e morreu. Para a missão, foi convocado o experiente diretor de arte Marcos Flaksman (O que é Isso, Companheiro?) e o cenógrafo Alexandre Meyer. Entre as 21 locações escolhidas do Rio estão o Teatro Municipal, a Confeitaria Colombo, o Colégio Santo Inácio (transformado em faculdade americana), o Clube Naval (onde foi instalado o gabinete do Presidente Getúlio Vargas). Nos estúdios do Gabinal, no Rio, foram construídos oito cenários, entre eles a casa de Villa-Lobos quando criança, e os apartamentos em que viveu com Mindinha, no Rio, e com Lucília (no Rio e em Paris). A estilista Marília Carneiro coordenou a criação de mais de 1000 figurinos de época e a confecção de 4.000 uniformes escolares.
A Equipe
No dia 16 de setembro de 1997, Zelito Viana deu início às filmagens, comandando uma equipe de 120 pessoas, um pequeno exército, que incluía cinco caminhões, várias vans e carros, além de um trailer para os atores principais.
Walter Carvalho, o premiado fotógrafo de Central do Brasil e Pequeno Dicionário Amoroso, utilizou, pela primeira vez no Brasil, os modernos equipamentos Panavision para filmar em super 35 mm, com janela cinemascope.
Para a direção de som, foi importado o engenheiro italiano Giovanni Di Simoni, que trabalha em Los Angeles e utilizou o equipamento de captação de som de última geração, o Nagra Digital. "Villa-Lobos talvez tenha sido um dos dez primeiros filmes no mundo a usar este equipamento", afirma o diretor.
Depois de oito semanas, foi concluída a primeira fase das filmagens. A edição do material foi realizada por Eduardo Escorel (montador de Terra em Transe, Macunaíma, Eles Não Usam Black-Tie, Terra dos Índios, Fé), com equipamento Avid-8000.
Em julho de 1998, a equipe deslocou-se ao Ceará e em setembro ao litoral paulista, para filmar as cenas em aldeia indígena Guarani. Nesta fase, Zelito contou com a colaboração de Macsuara Kadiuéu, protagonista de seu filme anterior, Avaeté. As filmagens foram concluídas com o coro infantil reunido no Estádio do Fluminense. Os 4.000 participantes seriam depois multiplicados por efeitos digitais para 20.000, sob comando de Sérgio Schmidt, da empresa Twister, no Rio de Janeiro e na EFilm, em Los Angeles.
A Música
Um filme sobre Villa-Lobos é, obrigatoriamente um musical no amplo sentido do termo.
"Falar de Villa-Lobos, no fundo, nada mais é do que falar da sua música", resume Zelito Viana. Os cuidados na criação desta aventura musical permearam todas as etapas do filme, começando pela escolha do roteirista, Joaquim Assis, que tem formação de maestro. O regente John Neschling orientou a primeira seleção musical, que inclui Choros 10, Fuga das Bachianas no. 7, Noneto e o poema sinfônico irapuru. "As mais queridas e conhecidas como o O Trenzinho do Caipira e as Bachianas nos. 4 e 5 não podiam ficar de fora", complementa o diretor, que acrescentou algumas obsessões pessoais, como A valsa da Dor, Remeiros do São Francisco, Prelúdio 3 , Estudos 11 e Bachianas no. 1.
No total, são 107 entradas musicais, sob direção musical e regência do maestro Silvio Barbato, também autor da trilha incidental.
A trilha de VILLA-LOBOS - UMA VIDA DE PAIXÃO será ouvida em requintada gravação em Dolby Stereo, Digital Surround 5:1, sistema que impede o aproveitamento de gravações existentes. Por isso, toda a trilha foi regravada no teatro da UERJ pela Orquestra Sinfônica Brasileira e coro do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, sob a regência de Silvio Barbato, assistência de Turíbio Santos e supervisão do engenheiro de som José Luiz Costa Gato, um dos maiores especialistas do setor de música clássica. Para a gravação, foi utilizada a tecnologia de ponta Protools.
No total, o filme apresenta 100 minutos de música de altíssimo nível técnico e artístico "como merece o grande Villa", diz Zelito. E complementa: "A parte popular foi entregue a outro craque da musica instrumental brasileira, o Maestro Paulo Moura, responsável não só pela excelente clarineta, no papel de Zé Espinguela, como por algumas composições inéditas"
A finalização sonora e dublagem de VILLA-LOBOS - UMA VIDA DE PAIXÃO foram supervisionadas por James Simcik , editor de diálogos e som da série Máquina Mortífera. A mixagem foi realizada em Los Angeles, nos estúdios Soundelux. A revelação, trucagens óticas e letreiros foram realizados no CFI - Consolidated Film Industries, também em Los Angeles.