PAULO MOURA


Paulo Moura cresceu entre melodias e ritmos.
As primeiras notas foram aprendidas mesmo antes das palavras, trazidas pelos sons que percorriam a casa de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. ?Seu? Pedro Moura, maestro da banda marcial da pequena cidade, ensinava aos alunos e filhos mais velhos um ofício familiar: a arte de fazer música. O caçula de dez irmãos, esperou os 12 anos para juntar-se ao pai e irmãos na animação de bailes e festas populares nos clubes da comunidade negra local.
Seus instrumentos: a clarineta e o saxofone alto.
A família mudou-se para o Rio de Janeiro e seu talento desdobra-se. Enquanto aprende harmonia, contraponto e fuga, numa sólida formação erudita, trabalha em orquestra de rádio sob a regência de Radamés Gnatalli, Lírio Panicalli, Zaccharias, e toca músicas populares em gafieiras de subúrbios. Seguem-se os estudos na Escola de Música e a estréia, e com apenas 19 anos é solista da Orquestra Sinfônica Brasileira executando o ?Concertino? de Weber para clarinete e orquestra.
Dessa mistura nasce uma trajetória, consolida-se um estilo musical e um virtuosismo intentivo. Paulo Moura torna-se a vigorosa e efervecente síntese que flui até nossos dias. Sempre experimentado, inovando, influindo gerações, criando seguidores.
Entre as origens negras, a música popular da periferia do Rio, as orquestras da época áurea do Rádio Nacional, gravando e apresentando-se com músicos e estrelas nacionais internacionais do primeiro time, destaca-se ainda como primeiro clarinetista da orquestra do Teatro Municipal durante 25 anos.
Por concurso, obteve a 1ª colocação, sendo oprimeiro artista negro a alcançar tal posição, vencendo preconceitos e obstáculos sociais. Mergulha em sinfonias, óperas, ballets e concertos à noite, enquanto na madrugada passeia sua técnica e inventividade em jam sessions, arranjos e experiências com a bossa nova.
Dessa mistura nasce uma trajetória, consolida-se um estilo musical e um virtuosismo intentivo. Paulo Moura torna-se a vigorosa e efervecente síntese que flui até nossos dias. Sempre experimentado, inovando, influindo gerações, criando seguidores.
O imenso sucesso popular inicia-se numa parceria com Wagner Tiso na música instrumental Mandrake, que permanece meses nas paradas de sucesso da Rádio Tamoio.
Como ele próprio se define no título do disco que o lançou para a fama internacional em 1976, tornando-se peça de colecionador para o Japão e USA: Confusãourbana, suburbana e rural – erudic?~ao, jazz, samba, percussão e choro numa permanente mescla que é caracterísitca sua até hoje.
Desde a primeira viagem para o exterior, quando acompanha Ari Barroso ao México em 1953, seguem-se turnês mundo afora, como em 1962, no Carnegie Hall, na famosa noite de Bossa Nova, no grupo que liderou com Sérgio Mendes.
Tornam-se freqüentes as paresentações na Grécia, Rússia, Argentina, França, Holanda, Inglaterra, Dinamarca, Suiça, Alemanha, Espanha, Estados Unidos, África e Japão, resultando no lançamento de vários discos, e participação em diversos festivais: Berlim, Zurich, Montreux, Gênova, Vail, Alabama, Tel-Aviv, Lincoln Center.
Em 1988, rege a Orquestra Sinfônica de Brasília, com uma peça de sua autoria, especialmente escrita para percussão e orquestra, em comemoração ao centenário da Libertação dos Escravos do Brasil.
O ano 1992 é profícuo: recebe menção da imprensa brasileira como melhor instrumentista clássico do ano, por sua apresentação como solista numa peça de clarineta, com a Orquestra de Câmara de Moscou no Festival ?Mozart?; escreve e estréia ?Suite Carioca?, peça para orquestra sinfônica, com coral de 150 vozes infantis e grupo instrumental de jazz, que inaugura os eventos da ECO 92 no Rio de Janeiro e o ?Prêmio Sharp? o destaca como instrumentista popular do ano.
São mais de 20 discos editados no Brasil e no exterior. Destacam-se: ?Paulo Moura interpreta Radamés Gnatalli?, ?Confusão Urbana, Suburbana e Rural?, ?Mistura e Manda?, ?Paulo Moura e Clara Sverner interpretam Pixinguinha?, ?Rio Nocturne?, ?Dois Irmãos-Paulo Moura e Raphael Rabello?, e ?Mood Ingênuo? com Cliff Kormam.
Comemorando o centenário de Pixinguinha no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, Paulo Moura lança o CD: ?Paulo Moura e Os Batutas?, recebe a menção ?choc exceptionnel da revista Le Monde de la Musique?e permanece na lista das 10 recomendações do ano de 1988 da Barnes & Nobles em Nova York.
Paulo Moura é hoje nome de praça e de festival. Em 1977, São José do Rio preto, em São Paulo, oficializa o festival Paulo Moura de Música Instrumental, sob sua permanente direção musical.
E durante este ano até janeiro de 1999 é também membro do Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro e do Conselho Federal de Música e presidente da Fundação Museu da Imagem e do Som do RJ.